25 dezembro 2011

Catch Me If You Can

99 jardas. O mais longo touchdown na história dos Giants, empatando com o máximo obtido na história da NFL. O seu autor? Victor Cruz, que passou de um mero random, em 2010, para o receiver dos Giants com melhor produção, ofuscando a principal estrela Hakeem Nicks.

O palco não podia ser melhor. O estádio onde jogam ambas as equipas de Nova Iorque. O opositor era o rival citadino, os Jets de Rex Ryan, que os Giants enfrentam por imperativos de calendário de 4 em 4 anos.

E o que dizer da altura em que se defrontavam? Temporada regular, é certo, mas a apenas uma jornada do final e num jogo com sérias implicações nos playoffs. Por isso tudo, este foi o momento do jogo. Até aí, a secundária dos Jets tinha minimizado o estrago no jogo aéreo, com Darrelle Revis a marcar impiedosamente Nicks.

Mas então, com os Giants numa dramática posição no campo, encostados à própria end zone, surgiu o passe de Eli Manning. A recepção de Cruz. O resto é pura magia, com a velocidade estonteante do receiver, aliada à sua finta de corpo, a deixarem Antonio Cromartie e Kyle Wilson a ver navios....

É por momentos assim que adoro o futebol americano.

Front Flip

É um dos momentos do ano. A NFL é um vasto campo onde tudo pode, quase literalmente, acontecer. Com atletas super dotados, de capacidades físicas extraordinárias, condensar uma temporada a um top de 10 jogadas é uma tarefa que se afigura difícil. Mas esta finalização do WR dos Bengals, na semana 16, no embate contra os Cardinals [com sérias implicações nos playoffs], merece figurar como um dos grandes momentos do ano. Obra de Jerome Simpson.

21 dezembro 2011

The Catch

Merece mesmo ser chamada de "The Catch". É uma das mais espantosas recepções que já vi num jogo de futebol americano. Aaron Dobson, WR de Marshall, foi o autor da proeza. Um nome a ter em conta, como prospect para o draft de 2013.

Semana 15

Semana 15

Começa a pairar o espectro do afastamento dos playoffs, para algumas equipas. Mas, tanto na AFC como na NFC, a confusão é mais do que muita:

1 – O mais espantoso, para já, é que aparentemente ninguém quer vencer a NFC East. Os Giants, depois da brilhante vitória fora em Dallas, claudicaram de forma incrível em casa com os Redskins. O facto foi aproveitado pelos mesmos Cowboys, liderados por uma excelente performance de Tony Romo e…pelos Eagles. De forma quase inacreditável, a equipa de Michael Vick ainda mantém possibilidades de apuramento. “Basta-lhe” a certa correlação de resultados, que passará sempre por vencerem os dois jogos que faltam (um deles com os Cowboys) e rezar para que os seus adversários (Cowboys e Giants) percam mais um jogo. E isso até parece possível, no papel. Os Giants, que nos últimos anos têm sucumbido na recta final da regular season, têm na véspera de Natal um encontro tremendo, contra os rivais citadinos dos Jets, terminando depois a temporada em novo embate com os Cowboys.

2 – Na NFC os Lions conseguiram uma vitória preciosa, mantendo-se para já em postos de apuramento. Aliás, à equipa de Detroit basta vencer um dos dois últimos jogos para conseguir a 6ª seed. É mais fácil escrevê-lo do que fazê-lo. Os adversários são os Chargers, ressuscitados e ainda acalentando possibilidades de apuramento, e os Packers, em Green Bay. Tarefa difícil, mas os pupilos de Jim Schwartz estão vivos, como demonstraram naquela magnífica drive final em Oakland. 99 jardas em cerca de 1 minuto e 40 segundos, sem descontos de tempo. A sintonia Matthew Stafford e Calvin Johnson resgatou-os de uma derrota com sérias implicações na classificação.

3 – Um cenário perfeitamente possível e que dará uma história tremenda. Os Broncos (vamos entrar no reino da especulação) perdem para a próxima jornada com os Bills. Os Chiefs vencem os rivais de divisão Raiders. A última jornada na AFC West: Broncos recebem os Chiefs. Ou seja, Kyle Orton regressaria a Denver, defrontando o seu algoz Tim Tebow. E o vencedor da partida teria direito ao bilhete premiado de apuramento. Que final melhor para uma temporada trepidante?

4 – É algo praticamente inevitável. O recorde de Dan Marino, de mais jardas passadas numa temporada, está prestes a ser ultrapassado. O autor da proeza? Drew Brees, depois de mais um festival de como se joga na posição de quarterback, dado em Minnesota. Brees esteve quase perfeito. Acertou 32 dos 40 passes tentados, lançando para 412 jardas e 5 touchdowns. Ficou por aqui, dado que por mera precaução ficou sentado no banco, nos últimos 12 minutos da partida. Faltam 2 jogos para terminar a temporada regular. Faltam-lhe 305 jardas para alcançar Marino. Salvo uma lesão impeditiva dele actuar, alguém acredita que Brees não chegará a essa marca?

5 – Será Tony Romo um quarterback underrated, merecidamente? Ou, pese o que ele faça, será sempre analisado mais pelos erros cometidos [que este ano custaram preciosos triunfos aos Cowboys frente aos Jets e Lions] do que pelas participações meritórias nos triunfos? Romo, nos últimos 7 jogos dos Cowboys, conseguiu não ser interceptado em 6 deles. Nesses mesmos 7 jogos, lançou para 18 TD’s e apenas 2INT. Cumprindo, frente aos Buccanners o seu 75º jogo pela equipa de Dallas, as suas estatísticas são bem elucidativas, quando comparadas com os seus antecessores na posição, os Hall of Famers Roger Staubach e Troy Aikman. Comparando os 75 jogos iniciais de cada um:

Roger Staubach, 57 vitórias, 18 derrotas, 86 TD, 64 INT.

Troy Aikman, 44 vitórias, 31 derrotas, 78 TD, 70 INT

Tony Romo, 47 vitórias, 28 derrotas, 144 TD, 68 INT.

Como se constata, Romo está no bom caminho para se tornar um dos míticos jogadores da franquia. Basta-lhe continuar a ser consistente e, claro, ganhar um anel de campeão.

6 – Reggie Bush está a realizar a sua melhor temporada de sempre. Pela primeira vez, o running back irá ultrapassar as 1.000 jardas corridas numa época. Com um começo lento em Miami, que motivou um coro de críticas, Bush subiu a sua produção mostrando igualmente que pode ser um back para todos os downs. No mês de Dezembro correu 100 jardas contra os Raiders, 103 contra os Eagles e 203 jardas contra os Bills (melhor marca da carreira). Com uma média de 6.7 jardas por corrida, parece mais do que certo que Bush tem lugar cativo nos Dolphins, em 2012.

7 – Passando os olhos pelos habituais sites, uma estatística mostra o quão aterradora é a disciplina – ou falta dela – nos Raiders. A equipa de Oakland tem, até ao momento, 155 penalties marcados contra (por exemplo, os Packers apenas sofreram 85), tendo sido penalizados em 1.217 jardas (novamente comparando com os Packers, estes sofreram 511 jadas de penalização). Mais impressionante ainda é a contabilidade entre os penalties favoráveis e os desfavoráveis. Os Raiders, fazendo a compensação, apresentam 376 jardas negativas. Os Packers 308…positivas.

Mais do que dureza, a situação nos Raiders extrapolou de meros bad boys para uma indisciplina que os priva de vitórias. Demasiadas jardas perdidas e muita imbecilidade hormonal. Para finalizar, os Raiders sofreram 10 unnecessary roughness, contra 2 dos Packers e 4 unsportsmanlike conduct contra apenas 1 dos Packers. E não é coincidência que uns tenham os playoffs garantidos, a duas jornadas do fim, enquanto os outros ainda lutem por conseguir uma vaga.


13 dezembro 2011

Semana 14

Tanta coisa que aconteceu que, atrevo-me a dizer, esta foi uma das grandes semanas da fase regular. Vejamos o porquê:

1 – Tim Tebow é uma espécie de milagreiro. A recepção aos Chicago Bears, privados de Jay Cutler e Matt Forte, foi difícil como o esperado, face à sólida defesa. Julius Peppers bloqueou um field goal, Demaryius Thomas teve uns drops inaceitáveis e tudo parecia caminhar para uma derrota da equipa de Denver. Como sempre, os três primeiros períodos foram quase desastrosos para o quarterback dos Broncos. Apenas 3 passes certeiros em 18 tentativas e 45 jardas. A 5 minutos do fim, os Bears comandavam por 10-0. Se Tebow e os Broncos tiveram vitórias difíceis e quase milagrosas, esta ultrapassa qualquer uma. Lidando bem com a pressão, Tebow foi bem mais preciso no período decisivo, com 18 passes em 24 e 291 jardas. A 2 minutos do fim, sem qualquer desconto de tempo, Tebow passou para um touchdown, reduzindo distâncias. 10-7, mas a vantagem toda do lado do adversário. Só que uma qualquer conjugação cósmica realizou uma série de eventos que impediu a vitória dos Broncos. Aos Bears bastava conseguir um firts down. Mas, mesmo que isso não fosse atingido, bastaria não perder a bola num fumble disparatado ou parar o cronómetro. A parte do fumble foi cumprida. A outra não. Marion Barber, escolhido para carregar a bola, resolve sair de campo, parando automaticamente o cronómetro. Pode parecer coisa pouca, mas com isso os Broncos pouparam cerca de 30 segundos. E existe uma diferença enorme entre começar a drive decisiva, sem qualquer desconto de tempo disponível, na linha das 19 jardas e com 56 segundos no relógio, do que ter apenas 26 segundos. Foi essa a “prenda” de Barber ao adversário, num dos mais disparatados actos de que há memória. O resto já se sabe. Matt Prater, que no aquecimento do jogo tinha conseguido marcar um FG da marca das 70 jardas, conseguiu empatar a contenda da linha das 59. Prolongamento. E novamente aí, quando parecia que os Bears conseguiriam um FG relativamente fácil, Mário Barber tem um fumble. Bola dos Broncos, drive conduzida até às 51 jardas e novo pontapé certeiro de Matt Prater. Game Over para os Bears, numa derrota dolorosa e que os afasta dos playoffs.

2 – Eli Manning é fenomenal, não devendo nada ao irmão mais velho. Se o Super Bowl ganho em 2007, levando os Giants “on the road” até à final e derrotando aí os invictos Patriots, já o tinha feito sair da sombra de Peyton, as suas frequentes winning-drives nos instantes finais ameaçam torná-lo um dos mais frios e certeiros quarterbacks da história. O calendário dos Giants é um dos mais difíceis de que tenho conhecimento. Só nas últimas semanas, a equipa de Nova Iorque defrontou Patriots, Eagles, Saints, Packers e agora os Cowboys, num jogo de vida ou de morte. E ainda faltam Jets e novamente os Cowboys, naquele que pode ser um derradeiro e dramático jogo para ambas as equipas. Eli tinha estado soberbo na última vitória dos Giants, em New England, levando a equipa no último minuto numa drive que culminou no sucesso final. Contra os Cowboys, perdendo por 12 pontos a menos de 5 minutos do fim, perante uma hostil assistência de 92 mil pessoas, o mais novo dos Mannings teve duas drives de 80 e 58 jardas para colocar a sua equipa na frente. Não se pense que o triunfo foi fácil. Num jogo emotivo, a vitória parecia um equilibrista, numa manobra arriscada, podendo cair para qualquer um dos lados. Romo podia ter sentenciado o jogo, quando falhou um passe fácil para um Miles Austin deixado sozinho. Maaning, na resposta, colocou um passe teleguiado nas mãos de Manningham, na end zone, só para assistir ao drop do colega de equipa. E mesmo quando os Giants se colocam na frente, por 3 pontos, o jogo esteve longe de ser dado como terminado. Pela segunda semana consecutiva, os Cowboys morrem na linha de field goal. Em San Francisco, Dan Bailey falhou nas 49 jardas. Desta feita, quando tentava empatar para um prolongamento que parecia certo, o field goal é bloqueado. Por quem? Por um dos merecidos destaques da jornada. Jason Pierre-Paul, rookie, com um ano fantástico, a que soma mais uma actuação de elite: 2 sacks, 1 fumble forçado e 1 field goal bloqueado.

3 – Os Texans estão nos playoffs, pela primeira vez na sua história. Já aqui escrevi, nas últimas semanas, muita coisa sobre a equipa de Houston e o seu enorme mérito de resistir e ultrapassar as vicissitudes de lesões em peças nucleares. Irónico, no meio disto, é ver a equipa conseguir uma dramática vitória, alcançada a 3 segundos do fim do jogo contra os Bengals (que também lutavam ali por uma presença na fase seguinte da competição) com o seu quarterback nº 3, o rookie TJ Yates. Com direito a claque especial nas bancadas, Yates mostrou ser capaz de aguentar a forte pressão emocional, exibindo uma maturidade assinalável para quem estaria destinado apenas a um papel de mero observador, na temporada toda. Méritos do apuramento a terem que ser divididos por muitos, englobando Gary Kubiak, o general manager Rick Smith (cujo papel activo no mercado de free agents permitiu a contratação de Johnathan Joseph, um dos baluartes da secundária) e por um draft de 2011 criteriosamente preparado e de onde saíram JJ Watts e Brooks Reed. Agora, resta esperar por Janeiro e fazer suar quem lhes sair na rifa. Porque, como se vê, estes Texans não se abatem à primeira contrariedade. Nem à segunda.

4 – Alguns destaques individuais, para além dos já mencionados:
a) Karl Klug. Rookie, escolhido pelos Titans na 5ª ronda do draft de 2011, vindo da Iowa. Brutal contra os Saints, é um nome a merecer ser decorado, como um potencial pass-rusher de elite.

b) Jason Babin e Trent Cole. A dupla de defensive-ends dos Eagles esteve em grande contra os Dolphins, conseguindo cada um três sacks. Aparecem tarde, na temporada, mas finalmente a equipa parece produzir aquilo que era expectável em tal parada de estrelas.

c) Jared Allen. Com a lesão de Adrian Peterson, Allen tornou-se claramente a mais-valia dos Vikings, continuando a trilhar aquilo que parece ser a sua melhor temporada de sempre. Num ambiente hostil, devido às suas declarações anti-Detroit ao longo da semana, Allen foi um tormento para a linha ofensiva dos Lions, coleccionando 3 sacks e aumentando o pecúlio da temporada para 17,5. O recorde do mítico Michael Strahan, de 22,5 sacks numa época, parece perfeitamente ao alcance do DE dos Vikings.

d) Brandon Banks. O WR, transformado agora quase em permanência no punt/kick return dos Redskins, lançou um passe para TD. Leu bem. Ele, que nunca na vida de profissional ou universitário tinha lançado uma bola, entrou num reverse, lançando a bola com a mão esquerda para 38 jardas, encontrando Santana Moss para a finalização perfeita. Momento mágico.

e) Maurice Jones-Drew teve a melhor prestação individual da jornada. Ele “foi” os Jaguars. Sozinho. 136 jardas corridas/recebidas, com 4 touchdowns (2 corridos e 2 recebidos), sendo agora o jogador dos Jaguars com mais TD’s na história. São 73 em 90 jogos. Amazing!

08 dezembro 2011

Construindo o futuro

Para quem, como eu, era aficionado na série Fryday Night Lights, o mundo do futebol americano a nível de high school não é de todo estranho. O entusiasmo febril duma comunidade inteira, o estatuto de semi-deuses dos jogadores, as dificuldades de financiamento do programa, o recrutamento de jogadores. Tudo isso, e muito mais, faz parte do processo de crescimento e implementação de um programa competitivo. Mas, e ao nível universitário, onde as bolsas são apelativas para atrair os melhores prospects, as multidões entopem os acessos aos estádios, em dias de jogo, e o interesse público é multiplicado por 100 ou 1000? Como seria criar, a partir do zero, uma equipa capaz de se bater com universidades bem mais fortes, já implementadas, com as óbvias dificuldades no recrutamento de jogadores? É essa a actual realidade da Universidade de San Antonio-Texas. 2011 foi o ano ZERO. E o pequeno documentário está bem interessante.

07 dezembro 2011

Undefeated

Os Packers somam e seguem, mesmo que a sua defesa continue a permitir jardas e pontos aos adversários. Aaron Rodgers parece imbatível, uma espécie de Deus omnipresente dentro do relvado, gerindo o jogo a seu bel prazer. A forma como os Packers venceram, provavelmente, o seu mais difícil obstáculo até final da fase regular é elucidativa. Cedendo o empate a 35 pontos a 58 segundos do fim, Mr.Cool fez o do costume. Conduziu uma drive, pelo campo fora, colocando Mason Crosby em ponto de mira para um fácil field goal. A forma como tudo flui no ataque dos Packers é magnífica, com qualquer um dos elementos a ser um receiver em potência. Rodgers coloca a bola com enorme facilidade, a qualquer distância, dentro ou fora do pocket, furtando-se às investidas dos pass rushers com uma calma glaciar.

Estamos na presença de um dos melhores quarterbacks de sempre. Elogio exagerado? Aaron Rodgers realizou, contra os Giants, o seu “pior” jogo da temporada. Completou 28 em 46 passes, teve uma intercepção e 4 mortíferos passes para touchdown. Acabou o jogo com um rating de 106,2. O seu pior na época, dado que ainda não tinha baixado dos 110. E é essa a medida de grandeza. Onde os outros rejubilariam com um rating perto da excelência, Rodgers é escrutinado com um grau de exigência bastante elevado. Não tem igual, nem termo de comparação, actualmente.